
Carlos Augusto
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| Zhukov, presidente do Comitê Olímpico da Rússia: "É uma injustiça evidente" (Foto: Reuters) |
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta quinta-feira que terá 271 atletas, entre homens e mulheres, participando dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Uma comissão formada por Ugur Erdener (presidente da comissão e presidente da comissão médica e científica), Claudia Bokel (presidente da comissão dos atletas) e Juan Antonio Samaranch, membros do Conselho Executivo da entidade, compôs o Painel que revisou e julgou o caso. Assim, a Rússia terá cerca de 70% dos 389 atletas convocados primeiramente. O COI havia delegado às federações de cada esporte a decisão de banir ou liberar os atletas russos. Ainda assim, o Comitê Internacional criou uma série de condições para que a Rússia fosse liberada para a Olimpíada (veja abaixo).
Nesta semana, várias federações anunciaram suas decisões em relação ao caso dos russos. Boxeadores, judocas e atletas de tiro foram liberados de última hora. Entretanto, atletismo e levantamento de peso do país continuaram banidos.
O presidente do ROC, Alexander Zhukov, disse que a delegação russa será a mais limpa dos Jogos do Rio e lamentou o que chamou de injustiça cometida contra atletas limpos banidos.
Confira os tópicos exigidos pelo COI
1. O COI não vai aceitar a entrada de nenhum atleta russo nos Jogos Rio 2016 a não ser que o atleta cumpra as condições abaixo.
2. A entrada será aceita pelo COI apenas se o atleta for capaz de providenciar evidências para satisfação total de sua Federação Internacional (FI) em relação aos seguintes critérios:
• As FIs*, quando estabelecerem sua lista de atletas russos elegíveis, deverão aplicar o código da Wada e outros princípios acordados pelo conselho olímpico (21 de junho de 2016).
• A ausência de um teste anti-doping positivo não pode ser considerado suficiente pelas FIs.
• AS FIS deverão levar um histórico de análises individuais de cada atleta, levando em conta apenas testes internacionais confiáveis, e especificações de cada esporte do atleta e suas regras, para certificar um nível de ação.
• AS FIs deverão examinar as informações contidas no relatório da Comissão Independente e procurar na Wada o nome dos atletas e das Federações Nacionais que estejam implicados. Se ninguém estiver implicado, seja um atleta, um oficial ou uma Federação Nacional, pode ser aceito para a entrada ou o credenciamento para os Jogos Olímpicos.
• As FIs também deverão aplicar suas respectivas regras em relação às sanções das Federações Nacionais.
3. O Comitê Olímpico Russo (ROC) não está permitido a dar entrada de qualquer atleta aos Jogos Olímpicos do Rio 2016 que já tenha sido punido por doping, mesmo que ele ou ela já tenha cumprido a sanção.
4. O COI vai aceitar a entrada pelo (ROC) apenas se a FI do atleta esteja satisfeita que a evidência dada atinja as condições 2 e 3 acima e se for apoiada por um especialista da lista do CAS apontada por um membro do CAS, independente de qualquer organização de esportes envolvidas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
5. A entrada de qualquer atleta russo aceita em última instância pelo COI será sujeita a um rigoroso programa de testes fora de competição de acordo com a FI e com a Wada. Qualquer impedimento para esse programa vai ser seguida pela exclusão imediata de sua credencial pelo COI.
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| Delegação russa foi recebida com festa no Rio de Janeiro (Foto: Diego Madruga) |
Cronologia do caso
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| Yulia Stepanova durante sua participação, como atleta independente, no Europeu de Atletismo (Foto: Reuters) |
A corredora russa Yulia Stepanova e seu marido, Vitaly Stepanov, ex-oficial da Agência Antidoping Russa (Rusada), foram os delatores que tornaram possível a reunião de evidências que provassem a dimensão do esquema para burlar o controle antidoping do atletismo do país. Após fornecer documentos e conceder entrevista à rede alemã ARD, que tornou as denúncias públicas, a atleta foi considerada "traidora" na Rússia e mudou-se para o exterior. A Agência Mundial Antidoping (Wada) a classificou como "corajosa" pelos riscos que assumiu ao expor a fraude, e o Comitê Olímpico Internacional (COI) a liberou para competir no Rio com a bandeira de atleta neutra.
No dia 13 de Novembro de 2015, a IAAF suspendeu a Federação de Atletismo da Rússia como membro da entidade. A punição foi confirmada em 26 de novembro e novamente no dia 17 de junho de 2016. O Comitê Olímpico russo entrou com um pedido junto ao CAS, no dia 3 de julho, para a liberação de atletas que não haviam violado nenhuma regra antidoping.
No último dia 15 de julho, 67 atletas do país entraram com um recurso contra a decisão da IAAF de negar os pedidos dos mesmos competir como atletas neutros. Apenas uma ganhou sinal verde da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Foi o caso da saltadora Darya Klishina, que treina nos Estados Unidos e poderá competir no Rio como atleta neutra, sem a bandeira da Rússia. Delatora do escândalo de doping que culminou na suspensão, Yulia Stepanova também poderá competir nas mesmas circunstâncias.
Na última segunda-feira, uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) divulgou um relatório confirmando a existência de um sofisticado esquema de manipulação do controle antidoping nos Jogos de Inverno de Sochi 2014, confirmando a participação do ex-diretor do laboratório nacional antidoping russo, Grigory Rodchenkov, na manipulação de amostras, com o consentimento de autoridades locais.
Fonte:Globo




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