quinta-feira, 9 de abril de 2015

No Surf - Mineirinho perde título do Rip Curl Pro no desempate para Mick Fanning






Carlos Augusto





Uma decisão entre os dois últimos vencedores do Rip Curl Pro Bells Beach fechou a 54.a edição da etapa mais tradicional do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour na Austrália. E a segunda vitória de Adriano de Souza escapou por 1 centésimo na nota que acabou só empatando em 15,16 pontos a final contra o defensor do título, Mick Fanning. O bicampeonato do australiano foi confirmado pela nota 8,17 da sua melhor onda, contra a 7,77 que o brasileiro recebeu quando precisava de 7,78 para repetir sua vitória de 2013. Mineirinho começou a quinta-feira vencendo o campeão mundial Gabriel Medina e com a vitória assumiria a liderança isolada do ranking, que passa a ser dividida por Filipe Toledo e Mick Fanning.

Esta foi a quarta vez que o australiano badala o sino do troféu do Rip Curl Pro Bells Beach, igualando o número de títulos dos também campeões mundiais Kelly Slater e Mark Richards. O primeiro foi competindo como convidado em 2001 e depois repetiu o feito já como top da elite em 2012 e 2014. Em 2013 o campeão foi Adriano de Souza, que levou o Brasil ao alto do pódio repetindo o feito da cearense Silvana Lima no feminino em 2009. Mick Fanning também igualou outro número histórico com o igualmente tricampeão mundial Andy Irons, já falecido, completando vinte vitórias em etapas do WCT.

A matemática acabou definindo o campeão em Bells Beach esse ano. O curioso é que dos cinco juízes, três deram nota 7,80, ou seja, analisando que a onda de Adriano de Souza valia a vitória no Rip Curl Pro. Mas, os outros dois acharam que ele chegou perto e deram 7,70 e 7,50. Como a menor e a maior nota são cortadas, a soma das outras (7,80+7,80+7,70=23,30) dividida por três resultou em 7,77 e ele precisava de 7,78. Com isso, Mineirinho apenas igualou os 15,27 pontos de Mick Fanning e a decisão ficou para a maior nota de cada um. O australiano só surfou duas ondas durante os 35 minutos da bateria e uma delas foi a melhor da final, 8,17, enquanto o brasileiro pegou seis e tirou quatro notas na casa dos 7 pontos.

O grande intervalo entre as séries foi o fator negativo na quinta-feira de boas ondas de 5-7 pés no Bowl de Bells. A decisão do título só começou depois de 6 minutos, com Adriano de Souza pegando uma onda fraca. Mick Fanning ficou com a prioridade de escolha da próxima, mas deixou passar uma que abriu toda para Mineirinho mandar uma série de manobras potentes com velocidade para tirar nota 6,33. Já passava da metade da bateria quando o australiano pegou a sua primeira e errou a primeira manobra. O brasileiro veio na de trás que abriu para ele fazer outra sequência de manobras aproveitando qualquer espaço na parede de uma boa direita para abrir vantagem com nota 7,50.

Mas, logo Fanning pega uma boa onda e vai estendendo o limite das manobras, invertendo a direção da prancha, surfando com pressão para entrar na briga com nota 8,17. Mineiro dá o troco em seguida sem desperdiçar nenhuma chance de manobrar no crítico da onda e recebe 7,47. As séries ficaram mais constantes e Mick pega outra boa para conseguir os 6,80 pontos que lhe daria a liderança na bateria e os juízes dão nota 7,10. Com isso, Mineirinho passa a precisar de 7,78 nos 8 minutos finais da bateria e ele lutou muito pela vitória. Chegou perto da virada arriscando tudo em duas manobras muito fortes no outside, seguiu fazendo grandes rasgadas abrindo leques de água e finalizando com uma batida explosiva na junção, mas a nota saiu 7,77 e tinha que ser 7,78 no mínimo.

A diferença baixou para 7,51 pontos e o guerreiro Adriano de Souza ainda pegou outra onda há 3 minutos do fim que abriu a parede para ele ir manobrando forte, lincando uma na outra com velocidade, porém a nota foi 7,00 e o resultado terminou mesmo empatado em 15,27 pontos. Se vencesse o Rip Curl Pro Bells Beach de novo, Adriano de Souza assumiria a liderança isolada no ranking mundial com 16.500 pontos, ultrapassando os 15.200 do Filipe Toledo que Mick Fanning igualou com o bicampeonato conquistado na quinta-feira de praia lotada em Bells.

INVENCIBILIDADE – Nas condições de mar do último dia, com longos intervalos entre as séries fazendo com que poucas ondas boas entrassem nas baterias, uma boa seleção das melhores ganhou peso decisivo nos resultados. Foi assim na grande final e no confronto brasileiro que abriu a quinta-feira em Bells Beach. O campeão mundial Gabriel Medina começou mais ativo, pegando três ondas antes de Adriano de Souza surfar a primeira dele, mas todas fracas. Mineirinho teve paciência, foi mais seletivo e só pegou duas ondas, a segunda já nos minutos finais para ganhar nota 6,50 e vencer por 11,60 a 8,33 pontos.

Esta foi a sexta bateria que eles se enfrentaram no WCT e Adriano de Souza está invicto, não perdendo nenhuma vez para Gabriel Medina. A última tinha sido também em Bells no ano passado, mas na fase anterior a quartas de final. E quando se tornou o único brasileiro a badalar o sino da vitória no Rip Curl Pro de 2013, Mineirinho também tinha derrotado Mick Fanning nas quartas de final. Ele ainda eliminou o australiano nesta mesma fase na primeira etapa deste ano na Gold Coast. Mas, Fanning leva vantagem no confronto com o brasileiro, registrando sua sétima vitória nas dez baterias que eles disputaram no WCT.

Mick Fanning e Adriano de Souza no pódio do Rip Curl Pro Bells Beach (Foto: Kelly Cestari / WSL)

LÍDER BARRADO – Assim como Gabriel Medina, o ainda líder do ranking Filipe Toledo também parou nas quartas de final sem conseguir somar uma segunda nota mais consistente para superar o norte-americano Nat Young. Na melhor onda do brasileiro, ele atacou o lip com manobras fortes e acertou um aéreo reverse bem alto para ganhar nota 8,33. Mas, o californiano tirou 8,60 com uma sequência de batidas e rasgadas potentes levantando água e ainda somou o 6,50 da sua última onda. Filipinho teve que computar um 5,53 e foi batido por 15,10 a 13,86 pontos.

BRASIL BEM NO RANKING – Com os resultados das duas primeiras etapas do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour, a seleção brasileira está toda no grupo dos 22 primeiros que são mantidos na elite dos top-34 para o próximo ano, com Filipe Toledo permanecendo em primeiro lugar e Adriano de Souza em terceiro. O único que estava fora era Jadson André, que foi barrado pelo campeão Mick Fanning na quinta fase e ficou em nono lugar. Com isso, subiu de 25.o no ranking para dividir a 17.a posição com o também potiguar Italo Ferreira e mais dois surfistas, o francês Jeremy Flores e o irlandês Glenn Hall.

Antes de perder para Fanning, Jadson derrotou o australiano Taj Burrow e o brasileiro Miguel Pupo, que caiu da terceira para a oitava posição. Outro paulista que não venceu nenhuma bateria em Bells Beach foi Wiggolly Dantas, que despencou do quinto para o 15.o lugar. Já o campeão mundial Gabriel Medina começou a temporada em 13.o e está empatado em nono com os australianos Taj Burrow e Owen Wright. Agora todos partem para a terceira e última etapa da “perna australiana”, que começa no dia 15 e vai até 26 de abril em Margaret River.

TÍTULO FEMININO – Mas o Rip Curl Pro ainda continua na sexta-feira com a decisão do título feminino. As oito concorrentes estão divididas nas quartas de final que vão abrir o último dia das meninas em Bells Beach. A atual bicampeã desta etapa, Carissa Moore, havaiana que ainda defende a liderança do ranking 2015, está na segunda bateria com a francesa Johanne Defay. E na seguinte, se enfrentam as duas melhores surfistas do ano passado, a hexacampeã mundial Stephanie Gilmore e a vice-campeã Tyler Wright.

O Rip Curl Pro Bells Beach está sendo transmitido ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e pela Fox Sports para a Austrália, com coberturas especiais também pelo MCS Extreme na França, EDGE Sports na China, Coréia do Sul, Malásia e outros territórios, com a TV Globo sendo a nova parceira da World Surf League no Brasil.

FINAL DO RIP CURL PRO BELLS BEACH 2015:

Campeão: Mick Fanning (AUS) por 15.27 pontos (notas 8.17+7.10) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Adriano de Souza (BRA)  com 15.27 pontos (7.77+7.50) – US$ 40.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 20.00 de prêmio:

1.a: Adriano de Souza (BRA) 14.83 x 9.87 Josh Kerr (AUS)
2.a: Mick Fanning (AUS) 16.70 x 14.23 Nat Young (EUA)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com 5.200 pontos e US$ 15.000 de prêmio:

1.a: Adriano de Souza (BRA) 11.60 x 8.33 Gabriel Medina (BRA)
2.a: Josh Kerr (AUS) 13.00 x 7.93 Owen Wright (AUS)
3.a: Mick Fanning (AUS) 17.76 x 15.60 Jordy Smith (AFR)
4.a: Nat Young (EUA) 15.10 x 13.86 Filipe Toledo (BRA)

QUARTAS DE FINAL DO RIP CURL WOMEN´S PRO – 5.o lugar com 5.200 pontos:

1.a: Sally Fitzgibbons (AUS) x Lakey Peterson (EUA)

2.a: Carissa Moore (HAV) x Johanne Defay (FRA)

3.a: Stephanie Gilmore (AUS) x Tyler Wright (AUS)

4.a: Coco Ho (HAV) x Courtney Conlogue (EUA)

TOP-22 DO RANKING DA WORLD SURF LEAGUE – 2 etapas:

1.o: Mick Fanning (AUS) – 15.200 pontos
1.o: Filipe Toledo (BRA) – 15.200
3.o: Adriano de Souza (BRA) – 14.500
4.o: Julian Wilson (AUS) – 9.750
5.o: Jordy Smith (AFR) – 9.200
6.o: Josh Kerr (AUS) – 8.250
6.o: Nat Young (EUA) – 8.250
8.o: Miguel Pupo (BRA) – 7.000
9.o: Gabriel Medina (BRA) – 6.950
9.o: Taj Burrow (AUS) – 6.950
9.o: Owen Wright (AUS) – 6.950
12.o: Kelly Slater (EUA) – 5.750
12.o: Joel Parkinson (AUS) – 5.750
12.o: Matt Wilkinson (AUS) – 5.750
15.o: Bede Durbidge (AUS) – 5.700
15.o: Wiggolly Dantas (BRA) – 5.700
17.o: Jadson André (BRA) – 4.500
17.o: Jeremy Flores (FRA) – 4.500
17.o: Glenn Hall (IRL) – 4.500
17.o: Italo Ferreira (BRA) – 4.500
21.o: John John Florence (HAV) – 3.500
21.o: Kolohe Andino (EUA) – 3.500

Fonte:wslsouthamerica.com
Fotos:Kelly Cestari/WSL
Texto:João Carvalho

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